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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

O pensamento paradoxal e a administração de opostos


Escolher um lado pode ser o erro.

Empresas são frequentemente colocadas diante de escolhas que parecem exigir uma resposta definitiva: servir aos públicos A e B ou aos públicos C e D, focar o curto ou o longo prazo, centralizar ou descentralizar atividades, buscar eficIência ou inovar. As possibilidades são várias e decisões precisam ser tomadas.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

O pensamento sistêmico e a visão do todo


Problemas complexos raramente têm causas isoladas.

Iniciemos com um problema empresarial que parece simples. Uma empresa começa a apresentar atrasos na entrega de produtos, erros e queda de produtividade. A conclusão parece evidente: faltam pessoas, todos estão sobrecarregados. A solução também parece simples: contratar. Mas talvez o problema mais profundo esteja menos na quantidade de profissionais do que no sistema em que eles trabalham.

sábado, 5 de setembro de 2026

Ronald Coase e a pergunta sobre a razão de existir das firmas


Antes de governar uma organização, é preciso compreender por que ela existe.

Ronald Harry Coase foi uma das personalidades mais importantes do pensamento econômico do século XX e um dos autores cuja obra ajudou a construir as bases intelectuais para compreender as organizações, os contratos, os direitos de propriedade e os mecanismos pelos quais as atividades econômicas são coordenadas. 

sábado, 29 de agosto de 2026

O pensamento metafórico e a metáfora como ferramenta de governança


Governança corporativa pode parecer, à primeira vista, um território dominado por números, indicadores, relatórios, auditorias, matrizes de risco, demonstrações financeiras e complexos modelos de projeção do futuro. Conselheiros recebem toneladas de informações e precisam transformar esse material em decisões capazes de diagnosticar o presente, antecipar riscos e construir o futuro da organização. 

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Mervyn King e a governança além do acionista


Quando a empresa passou a ser compreendida
como parte da sociedade

Governar uma organização, na visão de Mervyn King, deixou de significar apenas disciplina nas relações entre acionistas, administradores e conselhos. Passou também a exigir uma pergunta mais ampla: quais são as consequências da atuação de uma empresa para todos aqueles que dela dependem – e para a própria sociedade na qual ela existe?

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Bob Tricker e o nascimento intelectual da governança corporativa


Antes de a governança corporativa se tornar código,
ela precisou se tornar objeto de estudo.

Robert Ian “Bob” Tricker ocupa uma posição singular na história da governança corporativa. Antes de o tema ganhar a projeção mundial que alcançaria nas décadas seguintes e antes de relatórios como o Cadbury Report difundirem internacionalmente as boas práticas de governança, Tricker já investigava, de maneira sistemática, o funcionamento dos conselhos de administração, os mecanismos de controle das organizações e, sobretudo, uma questão essencial: quem governa aqueles que administram?

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Cavalo de Tróia: a due diligence que nunca ocorreu


Um protocolo de pesquisa e conhecimento prévio 
pode ser a primeira muralha de qualquer organização.

A história do Cavalo de Troia atravessou mais de três mil anos como uma das maiores demonstrações de inteligência estratégica da humanidade. Narrada por Virgílio, na Eneida, e enraizada na tradição épica grega já presente em Homero, ela costuma ser lembrada como o triunfo da astúcia sobre a força.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Sir Adrian Cadbury em defesa de regras para sustentar a confiança


Quando a confiança desaparece, 
a governança deixa de ser opcional.

Sir Adrian Cadbury foi uma das personalidades mais influentes da história da governança corporativa moderna. Empresário, autor e pensador da governança, além de presidente do comitê responsável pelo célebre Cadbury Report, publicado em 1992, seu nome tornou-se quase sinônimo do nascimento dos códigos contemporâneos de governança.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

O homem que mudou o jogo: a governança invisível das decisões


Processos formais, reportes e relatórios
não mostram, de fato, como decisões são tomadas. 

Organizações perseguem resultados por meio de ritos nem sempre plenamente compreendidos. Crescimento, lucratividade, inovação, reputação e longevidade, entre outros temas, ocupam o centro das atenções de sócios, conselhos de administração e diretorias executivas. Entretanto, por detrás de qualquer indicador que aparece em relatórios ou de qualquer meta alcançada, existe um processo invisível que define o futuro das organizações: a forma como elas decidem.

domingo, 5 de julho de 2026

Caso Dolly e o risco tributário

 

Adiar indefinidamente o pagamento de tributos ainda é possível?

O caso Dolly é um alerta sobre governança corporativa, risco tributário, concentração de poder e continuidade empresarial. O que está em discussão não é apenas uma dívida tributária bilionária, mas a convivência de uma organização, durante anos, com passivos relevantes, até que aquilo que parecia administrável passa a ameaçar a própria sobrevivência da empresa.

Do Decreto à Lei: o teste de efetividade da governança pública brasileira


Um avanço institucional da 
Administração Pública brasileira

A governança pública brasileira caminha para um novo patamar institucional. A discussão em torno do PL nº 3.995/2024, que busca estabelecer em lei a política de governança da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional, não deve ser vista como mera atualização normativa. Trata-se de um movimento relevante na tentativa de transformar diretrizes de boa administração em compromisso institucional mais estável e mais legalmente robusto.

sábado, 27 de junho de 2026

Caso Petrobras: economia mista, soberania energética e governança corporativa


Uma companhia estratégica entre o interesse nacional, 
o mercado de capitais e a boa governança corporativa

Analisar a Petrobras apenas por lentes afetivas, ideológicas ou financeiras empobrece a compreensão de uma Companhia que ocupa posição singular na história econômica, energética e institucional do Brasil. Ademais, trata-se de uma empresa relevante demais para ser analisada somente sobre se deveria ser uma organização privada ou uma estatal pura. A dicotomia “ser privada versus ser estatal” é, necessariamente, limitada. Muito limitada, na verdade.

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Adolf Berle e Gardiner Means: O estudo que desvendou o poder na sociedade por ações


Em 1932, os Estados Unidos ainda tentavam compreender as consequências da crise de 1929. Empresas haviam desaparecido, bancos haviam quebrado e milhões de investidores assistiam à destruição de  patrimônio em uma escala sem precedentes. A crise produziu sofrimento nos EUA e em âmbito internacional, inclusive no Brasil. 

sábado, 20 de junho de 2026

Lionel Messi e o treino invisível das organizações


Governança e gestão requerem método e treino.

Kansas City, 16 de junho de 2026. Aos 38 anos de idade, Lionel Messi entrou em campo para disputar sua sexta Copa do Mundo. Para muitos atletas, apenas alcançar esse momento já representaria uma conquista extraordinária. Para Messi, contudo, a noite reservava algo ainda mais impressionante. Aquela seria uma noite memorável para o atleta e o futebol, em âmbito global.

domingo, 7 de junho de 2026

Felipe Massa na Fórmula 1: Governança pode chegar tarde?


Uma questão de governança institucional: 
quem fiscaliza os fiscalizadores?

Em setembro de 2008, durante o Grande Prêmio de Singapura de Fórmula 1, ocorreu um dos episódios mais controvertidos da história recente da categoria. Naquela prova, Nelson Piquet Jr., então piloto da Renault, bateu seu carro em circunstâncias posteriormente tratadas, no âmbito disciplinar da Fédération Internationale de l'Automobile (FIA), como deliberadas e vinculadas à estratégia da equipe. O episódio provocou a entrada do safety car, alterou a dinâmica da corrida e passou a integrar um debate mais amplo sobre integridade esportiva, resposta institucional e confiança em sistemas regulados.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Robert Monks e o ativismo pela governança


Governança corporativa com 
sólidas raízes na governança societária.

Robert Augustus Gardner Monks foi uma das figuras mais relevantes da história moderna da governança corporativa. Advogado, empresário, autor, investidor e ativista acionário, Monks faleceu em 29 de abril de 2025, em Cape Elizabeth, Maine, EUA, aos 91 anos. Sua trajetória ficou marcada por uma convicção essencial: empresas poderosas não podem ser administradas como feudos privados de seus executivos, mas devem estar submetidas a mecanismos reais de fiscalização, transparência e prestação de contas.

Qual ordem econômica emerge da Carta Magna?


Nem Estado máximo, nem mercado absoluto, mas coordenação em benefício da coletividade

A Constituição Federal do Brasil, em seu Título VII – Da Ordem Econômica e Financeira – estabelece nos artigos 170 a 192, exceto 171 (revogado), um conjunto de disposições relacionadas à economia do Brasil.  Neste texto, brevemente focalizamos dois conjuntos de princípios e regras que integram a arquitetura de governança do nosso País: os artigos 170 e 173, sem deixar de reconhecer a importância dos demais artigos do Título VII. 

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Indicação: Governance, livro de Mark Bevir


O livro Governance: A Very Short Introduction (2012), de Mark Bevir, é uma porta de entrada para aqueles que desejam compreender a governança em múltiplos significados. Ao invés de tratar o termo apenas como sinônimo de boas práticas empresariais, compliance ou gestão pública eficiente, Bevir apresenta o conceito como um fenômeno mais amplo e coerente com um conjunto de formas de coordenação social, padrões de direção, relações institucionais e processos decisórios que envolvem governos, organizações privadas, entidades não estatais, mercados, redes e sociedade civil. 

domingo, 5 de abril de 2026

Conselhos de administração e seus desenhos

A formação de conselhos de administração por vezes se dá de maneira errada. Ao invés de se discutirem efetivas necessidades da organização, discutem-se nomes, prestígio, reputação e peso institucional do potencial conselheiro. Nessa perspectiva, o conselho, constituído como vitrine de respeitabilidade, não emerge como efetiva arquitetura de inteligência e longevidade organizacional.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Diretoria Executiva: Agente de governança e gestão


Qual é a posição institucional da Diretoria Executiva? Responder a essa pergunta exige rigor jurídico e precisão conceitual e, para tanto, é necessário recorrer tanto ao Direito positivo quanto à visão das boas práticas de governança corporativa.