A Fundação SOS Mata Atlântica elaborou um relatório descrevendo a metodologia, os resultados e outras análises resultantes de uma expedição que percorreu cerca de 2 mil quilômetros, passando por 21 municípios, para avaliar a qualidade da água ao longo de 305 quilômetros do Rio Paraopeba, fortemente impactado pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG). A expedição foi patrocinada pelas empresas Ypê e Visa.
O relatório, denominado Observando os rios - o retrato da qualidade da água na bacia do rio Paraopeba após o rompimento da barragem Córrego do Feijão - Minas Gerais, está organizado em sete seções:
1 – Objetivo.
2 – Expedição Rio Paraopeba.
3 – Metodologia de Monitoramento.
4 – Qualidade da Água na Bacia do Rio Paraopeba.
5 – Resultados.
6 – Vegetação.
7 – Conclusão.
Foram monitorados 22 pontos do Rio Paraopeba. Segundo o Índice de Qualidade da Água adotado pela Fundação, 10 pontos foram classificados como “ruins” e 12 como “péssimos”. O relatório também apresentou análises específicas de metais e de outros parâmetros ambientais, registrando desconformidades em relação aos limites considerados aplicáveis aos rios de classe 2.
Segundo a Fundação, a água estava imprópria para os usos examinados nos 305 quilômetros monitorados, não devendo ser utilizada para abastecimento público, irrigação de alimentos ou dessedentação de animais. O relatório também mencionou possíveis efeitos da exposição aos metais analisados: a ingestão de cobre livre poderia provocar náuseas e vômitos, enquanto a exposição ao manganês por ingestão poderia estar associada a rigidez muscular, tremores nas mãos e fraqueza.
Além disso, o relatório registrou a perda de 112 hectares de florestas nativas, dos quais 55 hectares correspondiam a áreas bem preservadas. A publicação reúne outras informações relevantes sobre os impactos do rompimento da barragem em Brumadinho.
Com essa pesquisa, a Fundação SOS Mata Atlântica afirmou esperar contribuir para o aprimoramento de políticas públicas destinadas a evitar a repetição de eventos semelhantes. A Fundação também defendeu que a legislação ambiental brasileira seja valorizada e fortalecida por meio de órgãos técnicos e ambientais bem estruturados, bem como de instrumentos de gestão eficientes e protegidos contra interferências políticas indevidas.
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