segunda-feira, 29 de abril de 2019

Reflexões sobre Mariana e Brumadinho

Lama de Mariana chega ao mar do Espírito Santo   
Ricardo Linhares / Reuters

A Revista RI – Relações com Investidores publicou, na edição nº 230, de abril de 2019, o artigo Modelo de Gestão Sustentável: os casos Mariana e Brumadinho, de autoria de Cida Hess e Mônica Brandão. Nesse artigo, com base nos fundamentos do Modelo de Gestão Sustentável (MGS), apresentado anteriormente na coluna Orquestra Societária, as autoras formulam perguntas sobre aspectos organizacionais relacionados aos dois rompimentos.

A barragem de Fundão, em Mariana, era operada pela Samarco, companhia controlada conjuntamente pela Vale e pela BHP, cada uma com participação de 50%. A Barragem B1 da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, era operada pela Vale. O primeiro rompimento ocorreu em 5 de novembro de 2015; o segundo, em 25 de janeiro de 2019.

Entre as perguntas citadas, destacam-se:

1) Em que medida houve efetivo alinhamento entre sócios, conselheiros (representantes dos primeiros), Diretoria Executiva e as áreas operacionais da Organização quanto aos riscos reais dos eventos ocorridos? Os sócios e seus representantes tiveram acesso a um quadro realista dos riscos em ambas as situações?

2) Qual tem sido a lógica vigente de governança corporativa na Organização – o modelo financeiro ou o modelo dos stakeholders?

3) Os sócios e dirigentes da Organização têm clareza quanto à forte associação entre os conceitos de governança corporativa, sustentabilidade e gestão de riscos?

4) A gestão de riscos tem sido satisfatória? O mapeamento de riscos vem sendo feito de maneira a tornar próxima de zero a possibilidade de eventos inaceitáveis? As evidências físicas de riscos estão sendo percebidas e corretamente interpretadas? As decisões de investimentos baseadas nesse mapeamento têm sido adequadas?

Conforme se observa, as perguntas acima tratam de temas como governança corporativa, com destaque para o alinhamento e a lógica de governança vigente, sustentabilidade e gestão de riscos.

Cida Hess e Mônica Brandão concluem que, na percepção delas, a Vale dispõe de recursos humanos e materiais para rever seu modelo de gestão. As autoras chamam a atenção, especialmente, para os temas alinhamento, governança corporativa, sustentabilidade e gestão de riscos, cujo melhor tratamento poderia contribuir para evitar novos acontecimentos dessa natureza.


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