A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado criada para apurar as causas do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, da Vale S/A, em Brumadinho (MG), e examinar a segurança de outras barragens foi proposta em 12 de fevereiro e instalada em 13 de março de 2019. Segundo o Senado, era composta, naquele momento, por 11 membros titulares e 7 suplentes, sob a presidência da senadora Rose de Freitas.
Em 3 de abril, a CPI ouviu o gerente de Geotecnia Corporativa da Vale, Alexandre Campanha. Ele negou ter pressionado funcionários da TÜV SÜD para que a empresa emitisse a declaração de estabilidade da barragem. O engenheiro Makoto Namba, da TÜV SÜD, havia afirmado em depoimento à Polícia Federal que se sentiu pressionado a assinar o documento. Tratava-se de versões apresentadas aos investigadores, ainda sujeitas à apuração.
Convocados para a mesma reunião, Makoto Namba e André Jum Yassuda, também engenheiro da TÜV SÜD, exerceram o direito de permanecer em silêncio, assegurado por decisões liminares da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A CPI ouviu ainda a engenheira Ana Lúcia Moreira Yoda, da Tractebel Engineering, empresa que havia realizado inspeções na barragem antes da TÜV SÜD. Em seu depoimento, ela afirmou que as inspeções das quais participou não haviam indicado instabilidade e ponderou sobre os limites das informações de que dispunha para explicar o rompimento.
Para 9 de abril, estava prevista a oitiva de Cristina Heloiza da Silva Malheiros e Renzo Albieri Guimarães Carvalho, integrantes da Gerência de Geotecnia da Vale. Segundo os requerimentos de convocação relatados pelo Senado, Cristina era mencionada em processo judicial por sua atuação no monitoramento da barragem, enquanto alegações do Ministério Público apontavam Renzo como responsável por sua gestão. Essas referências justificavam as oitivas; não constituíam, por si, conclusão sobre responsabilidade individual.
A pauta anunciada para a reunião também incluía a votação de dois requerimentos: um relativo à quebra dos sigilos bancário e telefônico de Makoto Namba; outro, à indisponibilidade de bens da Vale e dos dirigentes Fábio Schvartsman, Gerd Poppinga, Lúcio Cavalli e Silmar Silva, com a finalidade declarada de preservar recursos para indenizações. Na data desta publicação, eram pedidos submetidos à CPI, e não medidas já aprovadas.
Os depoimentos e requerimentos mostravam uma etapa ainda inicial da investigação parlamentar. Para a governança, o caso já colocava uma pergunta decisiva: como informações sobre a segurança de uma barragem circulavam entre equipes técnicas, empresas contratadas e dirigentes, e como eram consideradas nas decisões? A resposta dependeria da apuração dos fatos, sem antecipar responsabilidades.
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