Neste sábado, às vésperas das eleições gerais, vale diminuir o passo e pensar com serenidade no Brasil que desejamos construir. Amanhã, 4 de outubro, iremos às urnas para escolher representantes que terão responsabilidades importantes sobre nossa vida coletiva. Entre tantas notícias, expectativas e divergências, podemos reservar um momento para refletir sobre o que esperamos de quem recebe o poder de decidir.
Quando pensamos na governança do Brasil, pensamos em instituições capazes de servir à sociedade, respeitar a Constituição Federal e transformar compromissos públicos em melhorias na vida das pessoas. Quando refletimos sobre governança corporativa, refletimos sobre organizações capazes de criar valor com responsabilidade, considerando quem participa de suas atividades e quem é afetado por suas decisões.
Embora tenham finalidades distintas, a governança do Brasil e a governança corporativa precisam de direção, transparência, prestação de contas e atenção às consequências do exercício do poder. Em ambas, importa definir quem decide, quais limites deve respeitar e como responde por suas decisões. Esses cuidados ajudam a orientar o poder público para o interesse da sociedade e as empresas para a criação de valor com responsabilidade.
Há muito que podemos melhorar no Brasil: o atendimento na saúde, a qualidade da educação, a segurança, a infraestrutura e as condições para trabalhar, empreender e viver com dignidade. Para isso, precisamos de planejamento que tenha continuidade, recursos bem utilizados, políticas avaliadas por seus resultados e informações públicas compreensíveis. A boa governança ganha sentido quando ajuda a transformar o dinheiro arrecadado e as decisões tomadas em benefícios que chegam às pessoas.
Nas empresas, também há espaço para avançar: profissionalizar decisões, prevenir conflitos de interesse, fortalecer controles, valorizar trabalhadores e cultivar relações responsáveis com clientes, fornecedores e comunidades. No poder público e nas organizações, reconhecer uma falha e corrigi-la é um sinal de maturidade. A confiança cresce quando existe coerência entre o que se anuncia, o que se faz e o que se entrega.
A responsabilidade continua depois das eleições. Acompanhar os mandatos, cobrar com respeito, reconhecer acertos e questionar desvios são formas de participar da vida democrática. Podemos discordar sobre caminhos e preservar a disposição para conversar. A serenidade nos permite examinar escolhas com mais clareza, sem abrir mão da firmeza necessária para defender direitos e exigir responsabilidade.
Que este sábado nos encontre com esperança e discernimento. O futuro do Brasil depende das escolhas nas urnas, da atuação das instituições e dos compromissos que sustentamos no cotidiano. Governar é cuidar do futuro. Esse cuidado começa quando compreendemos que o poder recebido traz consigo o dever de servir, prestar contas e deixar condições melhores para quem virá depois de nós.
Espaço Governança
