sábado, 25 de maio de 2019

Brumadinho: CPI do Senado enfrenta críticas ao andamento das investigações


A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado, presidida pela senadora Rose de Freitas (Pode-ES), foi criada para apurar as causas do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, da Vale S/A, em Brumadinho (MG), e examinar a segurança de outras barragens.

A CPI teve seu requerimento de criação lido em 12 de fevereiro e foi instalada em 13 de março de 2019, com previsão de 11 membros titulares e sete suplentes. O rompimento havia ocorrido em 25 de janeiro. Em maio, as buscas continuavam, e os balanços de vítimas permaneciam sujeitos a atualização.

O jornal Folha de São Paulo, em matéria intitulada CPI de Brumadinho patina sem obter provas contra cúpula da Vale, assinada pelo jornalista Rubens Valente e publicada em 18 de maio de 2019, questionava o ritmo da investigação. A reportagem apontava dificuldades na obtenção de informações e na análise de dados. Essa avaliação retratava o estágio dos trabalhos naquele momento, sem determinar o conteúdo do futuro relatório.

A reportagem também registrava reclamações sobre a presença dos senadores. Rose de Freitas havia solicitado ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), a substituição de integrantes que não compareciam às reuniões. A participação dos membros era uma condição relevante para o funcionamento da comissão e para o acompanhamento das informações recebidas.

Segundo a Folha, o relator Carlos Viana (PSD-MG) destacava dificuldades para reunir elementos que permitissem atribuir responsabilidades individuais. A reportagem também mencionava sua intenção de propor mudanças na fiscalização e no controle das barragens. Essas duas frentes — esclarecer responsabilidades e aperfeiçoar regras — podiam integrar o mesmo trabalho parlamentar.

Em pronunciamento de 14 de maio, registrado pela Agência Senado, Rose de Freitas havia defendido novos critérios técnicos e de segurança para barragens, além de uma investigação rigorosa do rompimento. Suas manifestações expressavam a posição da presidente da comissão, não uma conclusão judicial sobre os envolvidos.

Alguns depoentes exerceram o direito de permanecer em silêncio, assegurado por decisões judiciais. Entre eles estavam os engenheiros Makoto Namba e André Jum Yassuda, da TÜV SÜD, empresa que havia emitido a declaração de estabilidade da barragem. O exercício desse direito não constituía, por si, reconhecimento de responsabilidade nem dispensava a investigação de examinar documentos e outros elementos disponíveis.

Em 21 de maio, a Agência Senado noticiou uma manifestação do relator que precisava ser considerada nesse balanço. Carlos Viana afirmou que e-mails, relatórios e elementos periciais reunidos pela comissão permitiam fundamentar pedidos de indiciamento. Na mesma reunião, a CPI aprovou um requerimento de acareação entre funcionários e ex-dirigentes da Vale, diante de contradições apontadas nos depoimentos. A apresentação do relatório final estava prevista para 2 de julho.

Essas declarações expressavam a avaliação do relator sobre o material reunido, ainda sujeito ao exame da comissão e dos órgãos competentes. Não equivaliam a uma condenação. Também impediam concluir, naquele momento, que o relatório ficaria restrito a mudanças legislativas ou deixaria de examinar responsabilidades.

Além da CPI do Senado, estavam em funcionamento comissões na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. A existência de investigações paralelas ampliava as possibilidades de coleta e confronto de informações, mas não permitia antecipar que todas chegariam às mesmas conclusões ou enfrentariam dificuldades idênticas.

Para a governança pública, o caso colocava em discussão a qualidade do trabalho de uma comissão de investigação. Realizar audiências é apenas uma parte desse processo. Também é necessário organizar documentos, confrontar versões, identificar lacunas e explicar como as informações sustentam as conclusões. A avaliação de uma CPI deve considerar esse conjunto, além da repercussão de cada depoimento.

A presença dos integrantes também tem uma dimensão substantiva. Acompanhar as reuniões permite reconhecer contradições, formular perguntas e participar das decisões com conhecimento do material reunido. Responsabilidades distribuídas e continuidade no trabalho ajudam a evitar que a investigação dependa excessivamente de poucos membros.

Para a governança empresarial, investigar responsabilidades e propor melhorias institucionais são esforços complementares. Esclarecer como informações sobre riscos foram produzidas, transmitidas e consideradas pode contribuir tanto para a apuração dos fatos quanto para a prevenção de novos desastres. Essa contribuição exige conclusões fundamentadas e respeito aos direitos dos envolvidos, mantendo a proteção das pessoas como referência central.


Fontes e sugestões de consulta: