Ilustração conceitual. Não representa um registro fotográfico.
O rompimento da Barragem B1 da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), também passou a exigir atenção às condições de saúde dos bombeiros que participavam das buscas. Exames realizados nesses profissionais apontaram três resultados alterados para o parâmetro alumínio no sangue e, em outro bombeiro, a presença de cobre.
Em nota, o Governo de Minas Gerais informou que os resultados não caracterizavam, por si sós, intoxicação aguda. Segundo as autoridades, os bombeiros estavam bem e não apresentavam sintomas associados a problemas de saúde. O acompanhamento clínico e a realização de novos exames seriam necessários para verificar a evolução dos resultados. A nota também indicava que os níveis poderiam retornar aos parâmetros de referência depois de encerrada a exposição aos rejeitos.
Os resultados laboratoriais não permitem concluir automaticamente que os metais tenham sido absorvidos em razão de uma única fonte ou que tenham provocado doença. Eles constituem, entretanto, um sinal que justifica monitoramento médico, avaliação das condições de trabalho e adoção de medidas destinadas a reduzir a exposição dos profissionais.
Enquanto isso, o Governo de Minas Gerais recomendava que a água bruta do Rio Paraopeba, no trecho compreendido entre Brumadinho e Pompéu, não fosse utilizada para consumo humano, irrigação ou dessedentação de animais até que as condições permitissem a suspensão da medida. A orientação alcançava comunidades e atividades que dependiam diretamente da água desse trecho do rio.
A captação de água do Paraopeba destinada ao sistema de abastecimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte havia sido interrompida no próprio dia 25 de janeiro, após o rompimento da barragem. Naquele momento, as autoridades informavam que não havia previsão de desabastecimento, mas a qualidade da água continuava sendo acompanhada.
Pessoas que apresentassem sintomas como náusea, vômito, diarreia, coceira ou tontura deveriam procurar atendimento em uma unidade de saúde. A recomendação era especialmente importante para quem tivesse tido contato com a água ou com os rejeitos sem proteção adequada.
No balanço mais recente disponível quando este artigo foi publicado, 177 mortes haviam sido confirmadas e 133 pessoas permaneciam desaparecidas. As buscas prosseguiam, sem previsão de encerramento, enquanto familiares aguardavam notícias e as equipes enfrentavam condições difíceis de trabalho.
Saúde ocupacional e gestão de riscos
O acompanhamento dos bombeiros mostra que a resposta a um desastre precisa considerar também a saúde daqueles que atuam no resgate. Esses profissionais podem estar expostos à lama, à poeira, à água sob restrição de uso, a produtos químicos, a riscos biológicos e a condições físicas extenuantes.
A proteção não depende apenas de equipamentos individuais. É necessário definir procedimentos de entrada e saída das áreas atingidas, promover descontaminação, registrar os períodos de exposição, assegurar pausas e revezamentos e oferecer avaliação médica contínua. Informações sobre os riscos devem ser transmitidas de maneira clara às equipes e às autoridades responsáveis.
Também é importante distinguir alterações em exames de sangue de diagnósticos clínicos. Um resultado fora do parâmetro de referência exige investigação, mas precisa ser interpretado considerando histórico médico, tempo de exposição, características do exame e avaliação profissional. A comunicação pública deve evitar tanto o alarmismo quanto a minimização indevida.
A situação do Rio Paraopeba reforça a necessidade de transparência ambiental. Comunidades, produtores rurais e empresas que dependem do rio precisam receber informações atualizadas sobre a qualidade da água, as restrições de uso e as medidas de proteção recomendadas.
A gestão da crise envolve responsabilidades compartilhadas. A empresa deve colaborar com as autoridades e proteger trabalhadores e comunidades; o poder público deve fiscalizar, informar e oferecer atendimento; e os profissionais de saúde precisam acompanhar possíveis efeitos da exposição ao longo do tempo.
O rompimento da barragem produziu consequências humanas e ambientais que ainda estavam sendo dimensionadas em fevereiro de 2019. Os exames realizados nos bombeiros e as restrições relativas ao Rio Paraopeba demonstravam que a emergência não terminava com o resgate imediato: exigia monitoramento, informação confiável e cuidado contínuo com todas as pessoas expostas.
Espaço Governança
Fontes:
Exames detectam metais no sangue de quatro bombeiros (Veja)
Exame mostra alumínio alterado no sangue de bombeiros (UOL)
Análises confirmam alterações no Rio Paraopeba (Estado de Minas)
