Ilustração conceitual. Não representa um registro fotográfico.
No início da tarde desta sexta-feira, 25 de janeiro de 2019, rompeu-se a Barragem B1 da Mina Córrego do Feijão, operada pela Vale no município mineiro de Brumadinho. O fluxo de rejeitos atingiu instalações da empresa e áreas próximas, mobilizando equipes de resgate, autoridades públicas e moradores da região.
Neste momento, ainda não é possível conhecer a dimensão completa do ocorrido. As informações estão sendo atualizadas, e a prioridade deve ser localizar e socorrer as pessoas atingidas, proteger as comunidades próximas e oferecer apoio às famílias que aguardam notícias.
Também será necessário acompanhar os possíveis impactos ambientais. Existe preocupação com os cursos de água da região, especialmente o Rio Paraopeba, importante para diferentes municípios e atividades econômicas. Avaliações técnicas deverão indicar a extensão dos danos e as medidas emergenciais necessárias.
O rompimento desperta perplexidade porque ocorre pouco mais de três anos depois do desastre de Mariana. Em 5 de novembro de 2015, a barragem de Fundão, pertencente à Samarco – empresa controlada conjuntamente pela Vale e pela BHP Billiton – rompeu-se no município mineiro de Mariana.
Naquela ocasião, 19 pessoas morreram, Bento Rodrigues foi destruído e os rejeitos atingiram a bacia do Rio Doce, alcançando posteriormente o Oceano Atlântico, no litoral do Espírito Santo. Comunidades, atividades econômicas e ecossistemas sofreram consequências que ainda estão longe de ser inteiramente superadas.
O rompimento de outra barragem de rejeitos em Minas Gerais torna inevitável perguntar quais aprendizados foram efetivamente extraídos de Mariana. As circunstâncias de Brumadinho ainda precisam ser investigadas e não permitem conclusões antecipadas, mas a repetição de um acontecimento dessa natureza exige respostas sérias e transparentes.
Nosso pesar e algumas impressões
O Espaço Governança lamenta profundamente o ocorrido e manifesta solidariedade às vítimas, às suas famílias, aos trabalhadores, aos moradores de Brumadinho e a todas as pessoas mobilizadas nas operações de emergência.
Neste primeiro momento, toda a atenção deve permanecer voltada ao resgate das pessoas e à proteção das comunidades atingidas. Depois, será indispensável reconstruir cuidadosamente a sequência dos acontecimentos, compreender as falhas existentes e transformar o conhecimento obtido em medidas capazes de impedir novas tragédias.
Não cabe, neste momento, atribuir responsabilidades individuais ou apresentar conclusões sobre as causas do rompimento. Essa apuração deverá ser conduzida pelas autoridades competentes, com base em documentos, perícias, depoimentos e demais elementos técnicos e jurídicos.
A prudência necessária à investigação, entretanto, não pode ser confundida com omissão. A sociedade tem direito a informações claras sobre as condições da barragem, os mecanismos de prevenção existentes, o funcionamento do sistema de alerta e as providências adotadas antes e depois do rompimento.
A mineração possui grande importância econômica para Minas Gerais e para o Brasil. Essa relevância, porém, amplia a responsabilidade das empresas e do poder público. Atividades capazes de produzir impactos humanos e ambientais de grandes proporções precisam ser acompanhadas por prevenção rigorosa, fiscalização independente e mecanismos efetivos de prestação de contas.
A extensão do desastre ainda não é conhecida. Uma certeza, contudo, já se impõe: depois de Mariana, o rompimento de outra barragem de mineração precisa produzir mudanças profundas na governança empresarial, na gestão de riscos e na atuação das instituições públicas.
Espaço Governança
