Além do embasamento teórico, a obra apresenta ferramentas para identificar e compreender esses públicos. Um primeiro exemplo é a matriz Interesse × Poder do Stakeholder (capítulo 2), que permite examinar o interesse de cada grupo nas atividades da organização e sua capacidade de influenciá-las. Outro exemplo são os instrumentos de comunicação com o público interno (capítulo 5), abrangendo periódicos, comunicação operacional, eventos e programas de incentivo.
Para a governança, a utilidade dessa análise está em tornar mais claras perguntas que precisam anteceder decisões relevantes: quem será afetado, quais interesses estão envolvidos, que informações esses públicos necessitam e como suas preocupações chegarão aos dirigentes? A matriz ajuda a organizar a atenção da administração, mas não deve servir para ignorar um grupo apenas porque ele dispõe de pouco poder de influência. Os efeitos de uma decisão sobre pessoas e comunidades também precisam ser considerados.
A comunicação, por sua vez, não se resume à divulgação de decisões prontas. O relacionamento com stakeholders pode oferecer informações sobre riscos, expectativas e consequências que a organização ainda não percebeu. Escutar esses públicos, avaliar o que foi ouvido e explicar as decisões tomadas torna a comunicação mais útil para a gestão e para a prestação de contas. É nessa ligação entre relacionamento e decisão que a leitura do livro ganha especial interesse para conselheiros e dirigentes.
Gestão dos Stakeholders apresenta, ao final de cada capítulo, referências bibliográficas para o aprofundamento dos leitores. Além das coordenadoras Thelma Rocha e Andrea Goldschmidt, participam do livro Arnaldo Marques de Oliveira Neto, Gisele Jordão, Izolda Cremonine, Paulo Roberto Ferreira da Cunha, Márcio Ribeiro da Fonseca, Maurício Turra Ponte e Roberta de Carvalho Cardoso.
