A 21ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 21) teve início em Paris, em 30 de novembro de 2015, sob forte aparato de segurança. O evento ocorre poucas semanas após os atentados terroristas de 13 de novembro, na capital francesa e em Saint-Denis, que provocaram a morte de 130 pessoas e deixaram centenas de feridos.
Ao longo dos próximos dias, a COP 21 reunirá representantes de diversos países, incluindo chefes de Estado e de governo, em um ambiente marcado simultaneamente pela tensão decorrente dos atentados e pela grande expectativa em torno das negociações climáticas.
A Conferência representa uma oportunidade especialmente importante para a construção de um novo acordo internacional capaz de ampliar a cooperação no enfrentamento das mudanças climáticas. A própria organização do evento o apresenta como uma oportunidade histórica para colocar o mundo em uma trajetória mais segura diante do desafio climático.
Os governos participantes já vêm apresentando compromissos relacionados à redução das emissões de gases de efeito estufa, mas permanecem divergências sobre responsabilidades, metas, financiamento e formas de implementação. Desde a adoção da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, em 1992, sucessivas negociações internacionais procuram construir mecanismos capazes de conciliar interesses econômicos, ambientais e sociais de países com realidades muito diferentes.
O desafio é complexo, pois as mudanças climáticas constituem um problema global, enquanto grande parte das decisões necessárias para enfrentá-las precisa ser implementada nacionalmente. Países apresentam diferentes níveis de desenvolvimento, matrizes energéticas, necessidades econômicas e responsabilidades históricas pelas emissões de gases de efeito estufa. Construir um acordo amplo significa, portanto, encontrar pontos de convergência sem ignorar essas diferenças.
Sob a perspectiva da governança global, a COP 21 também constitui um exercício relevante de coordenação entre múltiplos atores. Governos, organismos internacionais, empresas, investidores e organizações da sociedade civil participam, direta ou indiretamente, de um processo no qual decisões individuais produzem consequências coletivas. A qualidade dos mecanismos de cooperação, transparência, acompanhamento e responsabilização poderá ser tão importante quanto os compromissos que vierem a ser assumidos.
Para empresas e demais organizações, as discussões realizadas em Paris também merecem atenção. Eventuais compromissos internacionais poderão influenciar regulações, políticas energéticas, investimentos, inovação, gestão de riscos e expectativas de consumidores e investidores. As mudanças climáticas deixam progressivamente de constituir um tema exclusivamente ambiental e passam a integrar também discussões econômicas, estratégicas e de governança.
A COP 21 começa, portanto, cercada por grandes expectativas. Saber se os países conseguirão transformar interesses distintos em compromissos comuns será uma das questões centrais das próximas semanas. Independentemente do resultado final, a Conferência evidencia a necessidade e a dificuldade de construir soluções coletivas para problemas que ultrapassam fronteiras nacionais e cujos efeitos podem alcançar várias gerações.
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