Desde 2013, a BMFBovespa faz compensação da emissão de gases de efeito estufa (GEEs), tendo compensado as emissões por ela geradas em 2011 e 2012. Neste ano de 2015, a prática foi repetida, por meio da compensação das emissões de 2014. Para isso, 4.903 créditos de carbono, ou seja, 4.903 toneladas de CO2 equivalente, foram adquiridos no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Quioto.
Os créditos de carbono foram comprados do projeto Grid Connection of Isolated Systems (Conexão à Rede de Sistemas Isolados), que beneficia municípios dos estados de Tocantins e Mato Grosso, ajudando a reduzir a poluição ambiental e a dependência das importações de petróleo, bem como gerar empregos e promover a inclusão social.
A compensação de emissões pela Bolsa de Valores é coerente com sua política de sustentabilidade, aprovada em 2013 pelo conselho de administração, e, segundo essa política, concretiza seu compromisso com iniciativas relacionadas às mudanças climáticas.
O Protocolo de Quioto foi adotado em 11 de dezembro de 1997, na cidade japonesa de Quioto, e aberto para assinatura em 16 de março de 1998. Entrou em vigor em 16 de fevereiro de 2005, após o cumprimento das condições de ratificação previstas no próprio instrumento. A ratificação pela Rússia, ocorrida em novembro de 2004, foi decisiva para que o percentual mínimo de emissões exigido fosse alcançado.
Compensação de emissões e governança
A compensação de emissões constitui um dos instrumentos disponíveis para organizações que procuram enfrentar os impactos ambientais de suas atividades. Por meio da aquisição de créditos de carbono, uma entidade busca contrabalançar parte dos gases de efeito estufa que lançou na atmosfera, apoiando projetos capazes de evitar ou reduzir emissões em outros locais.
Esse mecanismo, entretanto, não deve ser interpretado como autorização para continuar emitindo indefinidamente. Antes de compensar, a organização precisa conhecer suas fontes de emissão, medir os impactos produzidos e buscar formas de reduzi-los. A compensação ganha maior consistência quando integra uma política ambiental mais ampla, acompanhada de objetivos, responsabilidades e resultados verificáveis.
A procedência dos créditos adquiridos também é importante. É necessário conhecer os projetos que os originaram, a forma pela qual as reduções são calculadas e os benefícios ambientais e sociais efetivamente produzidos. Sem informações adequadas e critérios confiáveis, existe o risco de a compensação transformar-se apenas em argumento promocional, sem correspondência suficiente com os resultados anunciados.
A governança corporativa exerce papel relevante nesse processo. Ao aprovar uma política de sustentabilidade, o conselho de administração incorpora o tema à esfera das responsabilidades superiores da organização. Cabe à administração transformar essa orientação em práticas, controles, indicadores e informações que permitam acompanhar seu cumprimento.
Uma bolsa de valores ocupa posição particularmente importante. Além de administrar os impactos decorrentes de suas próprias atividades, ela influencia empresas, investidores e demais participantes do mercado. Suas escolhas podem estimular maior transparência e ampliar a atenção concedida aos riscos ambientais nas decisões econômicas.
A iniciativa da BMFBovespa demonstra como instrumentos de mercado podem ser utilizados para apoiar objetivos ambientais. Seu valor, contudo, não depende apenas da quantidade de créditos adquiridos, mas da integração entre mensuração, redução, compensação, transparência e prestação de contas. É essa combinação que permite avaliar se o compromisso anunciado está efetivamente incorporado à atuação da organização.
