John Elkington é um sociólogo britânico nascido em 1949, reconhecido mundialmente como uma das maiores autoridades em responsabilidade corporativa e desenvolvimento sustentável.
É cofundador da SustainAbility, firma criada em 1987, qual foi presidente de 1995 a 2005, especializada em prestar assessoria sobre riscos e oportunidades associados ao desenvolvimento sustentável. É também sócio fundador e diretor da Volans Ventures, criada em 2008 para buscar, explorar e desenvolver soluções inovadoras para o futuro global.
John Elkington tem um amplo leque de atuação, com destaque para o Fórum Econômico Mundial, do qual participa desde 2002, bem como para o papel de conselheiro em várias instituições, a exemplo do Programa das Nações Unidas para as Cidades Compactas Globais.
Ele foi autor ou coautor de 17 livros, entre os quais o The Green Consumer (Guia do Consumidor Verde, 1988), e Cannibals with forks - the triple bottom line of 21st century (Canibais com Garfo e Faca: o triple bottom line do século 21, primeira edição em 1997). Este último introduz o tripé econômico, social e ambiental para a sustentabilidade.
A contribuição de John Elkington
A importância de John Elkington não decorre apenas de sua trajetória profissional, mas também de sua contribuição para aproximar o debate sobre sustentabilidade da realidade das organizações. Seu trabalho ajudou a difundir uma linguagem por meio da qual empresas, investidores e demais públicos podem refletir sobre resultados econômicos, impactos sociais e consequências ambientais.
O triple bottom line amplia a avaliação do desempenho organizacional. A dimensão econômica permanece indispensável, pois nenhuma organização consegue manter suas atividades sem recursos e resultados. Ela, entretanto, não deve ser analisada isoladamente, como se os efeitos sociais e ambientais das decisões fossem externos ou secundários.
As três dimensões também não devem ser tratadas como compartimentos independentes. Uma decisão capaz de produzir benefícios econômicos imediatos pode gerar custos ambientais ou sociais que, posteriormente, afetem a reputação, a continuidade e o próprio valor da organização. Em sentido oposto, iniciativas socioambientais desconectadas da estratégia podem permanecer periféricas e produzir efeitos limitados.
Por isso, o conceito não deveria ser reduzido a campanhas promocionais ou a três grupos de indicadores apresentados em relatórios. Sua aplicação exige que sustentabilidade seja considerada na estratégia, nos investimentos, nos processos, na gestão de riscos e nos critérios utilizados para avaliar decisões e resultados.
Sob a perspectiva da governança, a contribuição de John Elkington ajuda a formular uma pergunta central: como as organizações podem produzir resultados econômicos sem ignorar os impactos sociais e ambientais associados às suas atividades? Responder a essa questão exige mais do que declarações de compromisso; exige escolhas, responsabilidades, acompanhamento e prestação de contas.
