Robert Augustus Gardner Monks nasceu em 1933, nos EUA, e é um famoso ativista em prol
dos direitos dos sócios não controladores em companhias com ações em bolsa de
valores. Como ativista individual, ele é reconhecido por muitas especialistas
em governança corporativa como o mais importante e ativo na defesa das boas
práticas de governança.
Advogado
pela Harvard University, Robert Monks atuou na Advocacia e ocupou cargos de
presidente executivo e conselheiro de administração em companhias dos EUA.
Também atuou para o governo federal desse País, por meio do Office of Pension and Welfare Benefit
Programs, entidade com jurisdição sobre o sistema de pensões dos cidadãos
estadunidenses. Foi cofundador do Institutional
Shareholder Services e de outras entidades associadas à defesa da
governança corporativa.
Monks está
fortemente ligado ao desenvolvimento de um movimento
pela governança corporativa, a partir dos EUA. Tem escrito artigos em
várias publicações ao redor do mundo e tem algumas obras publicadas, com destaque
para os livros The New Global Investors:
How Shareholders can Unlock Sustainable Prosperity Worldwide (2001) e Corporate Governance (2011) – o segundo,
em coautoria com Nell Minow.
Ao
longo de sua trajetória profissional, Robert Monks (Bob Monks) tem buscado motivar
presidentes executivos e conselheiros de administração a melhorarem as práticas
de governança de suas respectivas empresas, bem como incentivar investidores a
cobrarem das organizações onde investem maior comprometimento com as boas
práticas de governança.
A contribuição de Robert Monks
A contribuição de Robert Monks para a governança corporativa está relacionada à defesa de uma participação mais responsável dos investidores na supervisão das companhias. Em empresas com capital disperso, a distância entre os proprietários e os administradores pode dificultar o acompanhamento das decisões e ampliar a concentração prática de poder nas mãos da gestão.
Possuir ações não representa apenas a expectativa de receber resultados financeiros. Também confere direitos que podem ser utilizados para acompanhar a administração, participar das assembleias, votar e cobrar explicações. Quando os investidores permanecem indiferentes, mecanismos formalmente existentes de fiscalização e participação podem perder parte de sua efetividade.
Os investidores institucionais ocupam posição especialmente relevante nesse contexto. Ao reunirem recursos de muitas pessoas, podem concentrar participações capazes de influenciar decisões e práticas empresariais. Esse poder, entretanto, também precisa ser exercido com transparência, diligência e responsabilidade perante aqueles cujos recursos administram.
O ativismo acionário não deve ser confundido com oposição permanente aos administradores ou interferência indevida na gestão cotidiana. Em sua dimensão construtiva, ele utiliza os instrumentos legítimos de participação para questionar decisões, aperfeiçoar conselhos, ampliar a transparência e proteger a continuidade da organização.
O pensamento associado a Robert Monks ajuda, assim, a formular uma questão central da governança corporativa: quem supervisiona aqueles que administram recursos pertencentes a outras pessoas? A resposta não depende de um único agente, mas da atuação combinada de sócios, conselhos, investidores institucionais, órgãos de fiscalização e demais participantes capazes de limitar abusos e fortalecer a prestação de contas.
