Uma das políticas importantes da governança de uma organização empresarial diz respeito à remuneração de seus dirigentes e demais gestores. Parte de um sistema de recompensas mais amplo, ela pode contribuir para alinhar os interesses dos sócios e dos administradores. Esse alinhamento, contudo, depende dos critérios adotados para reconhecer e recompensar o desempenho.
O livro Governança Corporativa e Remuneração dos Gestores, de Marco Larrate, publicado pela Editora Atlas, aborda a remuneração dentro do contexto da governança corporativa. A obra está organizada em duas partes: a primeira apresenta fundamentos e mecanismos de governança; a segunda trata das políticas de remuneração e dos incentivos aos gestores. Os oito capítulos percorrem os seguintes temas:
Introdução à governança corporativa.
Estrutura conceitual: a teoria de agência.
Aspectos básicos da governança corporativa.
Os códigos de governança.
Mecanismos de governança.
As políticas de remuneração e incentivo.
A remuneração variável.
Evidências empíricas.
Especial destaque é conferido à remuneração variável, objeto do capítulo 7, que apresenta uma estrutura geral para esse modelo de remuneração, contemplando incentivos de curto e longo prazos e seus benefícios e limitações. Ao final dos capítulos, questões auxiliam a compreensão e a fixação dos conceitos.
O tema merece atenção porque as formas de recompensar influenciam as escolhas dos gestores. Uma política bem estruturada pode estimular o cumprimento de objetivos relevantes, a cooperação e a busca de resultados duradouros. Para isso, os critérios de avaliação precisam ser compreensíveis e coerentes com a estratégia da organização.
Por outro lado, incentivos mal desenhados podem favorecer comportamentos indesejados. Uma recompensa concentrada apenas no resultado imediato pode estimular o adiamento de despesas necessárias, a redução de investimentos importantes ou a aceitação de riscos cujas consequências aparecerão depois do pagamento do bônus. O problema, nesses casos, está no comportamento que os critérios de remuneração acabam estimulando.
Por essa razão, discutir remuneração exige ir além dos valores pagos. É preciso examinar quais resultados são recompensados, como são medidos, em que prazo são avaliados e quem acompanha a qualidade das decisões que os produziram. Resultados financeiros são relevantes, mas precisam ser considerados juntamente com os riscos assumidos e as condições de continuidade do negócio.
A leitura é indicada para estudantes, conselheiros, dirigentes e profissionais que desejam compreender a relação entre governança e incentivos. Sua utilidade está em aproximar duas questões que precisam ser tratadas conjuntamente: o desempenho esperado dos gestores e as regras pelas quais esse desempenho será reconhecido.
