Nesta manhã, a BM&FBovespa abriu em forte
queda, acompanhando outros mercados acionários, impactados pelo pânico ou, atenuando a palavra, elevado temor, de investidores
globais em relação à China. O índice Ibovespa chegou a cair 6,49%, por volta de
10:35 h, em relação ao momento de abertura; às 14:31 h, o índice havia se
recuperado bastante, com queda de 1,77% e 44.910 pontos. No momento de fechamento desta
postagem, o mercado se encontra em operação e com tendência de queda.
![]() |
| Fonte: Pregão on line da BM&FBovespa |
O episódio ilustra o grau de interdependência alcançado pelos mercados. Uma desaceleração da economia chinesa pode produzir efeitos muito além de suas fronteiras, atingindo preços de commodities, moedas, empresas exportadoras e bolsas de valores de diferentes países. Para o Brasil, cuja economia e diversas companhias abertas mantêm forte relação com o mercado internacional de matérias-primas, acompanhar a evolução da China deixa de ser apenas uma questão externa e passa a integrar a análise do próprio ambiente econômico nacional.
Sob a perspectiva da governança e da gestão, movimentos como o observado nesta segunda-feira reforçam a importância de organizações acompanharem sistematicamente os riscos externos aos quais estão expostas. Conselhos de administração e diretorias não têm como prever com precisão a direção dos mercados, mas podem trabalhar com cenários, avaliar concentrações de riscos, examinar impactos sobre liquidez, receitas e investimentos e preparar respostas para situações de elevada volatilidade. Governança, nesse sentido, também significa desenvolver capacidade de decisão diante da incerteza.
Para investidores, períodos de forte oscilação mostram igualmente a importância da informação e da análise cuidadosa. Movimentos coletivos de compra ou venda podem ser intensificados por expectativas, receios e mudanças rápidas na percepção de risco. Distinguir alterações conjunturais de mudanças nos fundamentos econômicos das empresas constitui, portanto, um desafio importante em momentos como este, reforçando o papel da transparência, da qualidade das informações e da educação financeira no funcionamento dos mercados.
Mesmo com expectativas de estabilidade relativa
do mercado de ações, após o recente rebaixamento da nota de crédito da BM&FBovespa,
a Bolsa de Valores brasileira havia acumulado, até a sexta-feira passada, uma
perda de 10% no mês de agosto.
A China, bola da vez dos mercados financeiros, tem impactado fortemente os
preços das ações nos mercados acionários, impactando, ainda, as cotações de
vários ativos financeiros, como o dólar. Os mercados
acompanham, entre outros indicadores, o índice Caixin, o qual mensura a
atividade do setor industrial chinês; esse indicador vem caindo para cotações da
ordem de grandeza do início de 2009, em plena crise financeira global.
No Brasil, em linha com a queda de preços
de commodities no mercado externo,
especialmente petróleo e metais, os preços das ações das companhias Petrobras e
Vale, com grande peso no cálculo do Ibovespa, têm registrado quedas. Estes são exemplos
do efeito China sobre o mercado de
ações nacional. Esta é, de fato, uma segunda-feira
sui generis.

