A terra foi sendo ocupada por públicos externos e, no bojo do desenvolvimento de atividades econômicas, também passou, com o tempo, a lidar com o empobrecimento e a perda de população, em consequência da exploração comercial da madeira, do desmatamento e de atividades agrícolas e pecuárias sem maiores compromissos quanto à sustentabilidade.
O resultado é que a natureza local passou a ser caracterizada por paisagens substancialmente degradadas. E nesse
contexto, emergiu o Instituto Terra, associação civil sem fins lucrativos,
fundada em 1998 pelo casal Lélia Deluiz Wanick Salgado e Sebastião Ribeiro Salgado Júnior. Localiza-se na Fazenda Bulcão, em Aimorés, tendo sido reconhecida
como Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN) pela Portaria IEF/MG Nº
081, promulgada em 07 de outubro de 1998.
O
Instituto Terra definiu como seus principais objetivos estratégicos a
restauração do ecossistema local, a produção de sementes, a produção de
programas ambientais, a educação ambiental e a pesquisa científica aplicada. A
recuperação da maior parte dos 1.754 acres da Fazenda Bulcão pelo Instituto
Terra deve ser considerada um feito inédito no Brasil.
Os resultados do trabalho do Instituto Terra foram um dos principais motivadores para o governo de Minas Gerais criar a categoria Reserva Privada
para Restauração Ambiental (PRER), em 2004, a fim de encorajar outros
proprietários rurais a empreender iniciativas congêneres.
Além
da recuperação de estimados 7.500 hectares de áreas degradadas da Mata
Atlântica, o Instituto Terra produziu mais de 4,5 milhões de sementes da mata
nativa e desenvolveu cerca de 750 projetos educacionais, alcançando estimadas
75 mil pessoas, de acordo com o seu Relatório Anual de 2013. Todo esse trabalho
tem permitido injetar dinheiro na economia do município de Aimorés, por meio de
empregos diretos de pessoas da região e do incremento de negócios locais. O
Instituto também tem outras frentes de atuação: produziu livros e o portal
Semear, na internet, especializado em
sementes e mudas.
De acordo com o Relatório Anual de 2013 (até a elaboração deste artigo, o Relatório de 2014 não havia sido
disponibilizado no site do Instituto),
a Entidade tem uma estrutura de governança constituída por um conselho diretor,
um conselho consultivo, um comitê de auditoria e uma superintendência executiva,
que se reporta ao conselho diretor. Segundo o mesmo Relatório, o Instituto
trabalha com ferramentas de gestão como o Balanced
Scorecard (BSC), o orçamento base zero associado ao rolling forecast, a gestão de riscos e a gestão de projetos,
submetidos a um processo de análise, aprovação e avaliação de aprendizado.
Sob o prisma financeiro, no
Balanço publicado no Relatório em questão, o Instituto registra ativos de R$
5,69 milhões em 2013, receitas de R$ 3,25 milhões e um prejuízo de R$ 128 mil,
correspondente a 3,9% de suas receitas. Para alcançar seus objetivos, o Instituto
Terra depende em grande medida das contribuições de parceiros. Dos projetos da
organização, 41% têm financiamento governamental, 22% financiamento privado e
os demais relacionam-se a outras fontes de recursos.
Com
respeito ao casal fundador do Instituto Terra, Sebastião Salgado é mineiro,
economista, tendo abraçado a fotografia como profissão, com reconhecimento internacional. Recebeu premiações do fotografia de variadas partes do Planeta. Sua esposa, Lélia Salgado, capixaba, é pianista, fotógrafa e arquiteta, bem
como presidente do conselho de administração do Instituto. O casal tem dois
filhos, um dos quais, Juliano Ribeiro Salgado, dirigiu o documentário “O sal da
terrra”, sobre seu pai, com o diretor Wim Wenders, indicado ao Oscar 2015.
Sugestões de visita e leitura:
