sexta-feira, 27 de abril de 2018

Qual deve ser a primeira grande meta da estratégia de uma empresa holding?



Uma empresa holding é uma organização empresarial que abriga outras empresas, com objetivos que fazem sentido para aqueles que a criaram. 

Quais motivos podem ensejar a criação de uma holding? Neste artigo, resumimos a resposta em dois grupos de motivos: 


Ligados a pessoas e famílias

Pessoas físicas podem abrigar seus ativos em holdings por entenderem que isso é mais conveniente sob o prisma de sua segurança pessoal e gestão patrimonial. 

Ligados à administração de negócios

Sob o prisma administrativo, o qual também pode interessar a pessoas e famílias, as holdings ampliam a visão sistêmica dos negócios, criam sinergias entre os mesmos, favorecem a mitigação corporativa de riscos, prestam serviços às subsidiárias de um grupo empresarial e muito mais. 

Uma informação importante sobre as holdings é que elas existem sob diferentes tipologias, podendo ser criadas por pessoas, famílias ou empresas, ser de participações (sem atividade operacional) ou operacionais, ter capital aberto ou fechado, e ainda, formato estelar (a holding é controlada por várias holdings e controla, por sua vez, outras holdings) ou piramidal (a holding A controla a holding B que controla a holding C, em cadeia). 

Adicionalmente, são funções típicas de holdings (em ordem alfabética): aquisição de ativos, auditoria, comunicação social, conselho de administração e seus comitês e conselho fiscal, controladoria em âmbito nacional e internacional (subsidárias em países estrangeiros), finanças corporativas, jurídico, logística, suprimentos, meio ambiente, planejamento e gestão da estratégia, recursos humanos, relações com investidores, tecnologia geral e tecnologia de informação entre outras.

Consideremos uma empresa holding criada visando a administração de um conjunto de negócios. Como ela pode ajudar a criar valor econômico? Exploramos essa questão em termos simples, na linha adotada pelos professores Roberto Kaplan e David Norton em seu livro Alignment (2006): ela precisa criar sinergias. 

Para compreender o dito acima, acompanhemos o raciocínio seguinte, para uma Holding H que abriga três empresas, E1, E2 E E3:


Esta é, portanto, a chave da gestão da estratégia de uma holding ou estratégia corporativa: criar sinergias e, portanto, valor econômico. Notemos que a existência da Holding H, mesmo imposto uma despesa aos sócios, mais do que compensou a despesa criada. Por que? Porque esta Holding trabalhou bem e criou sinergias entre as empresas E1, E2 e E3.

Existem inúmeras alternativas que favorecem a criação de sinergias entre empresas: administração otimizada de participações em todas as suas etapas, busca de acesso comum a fontes de financiamento de baixo custo, compartilhamento de processos e recursos operacionais, gestão superior de pessoas e de conhecimento são exemplos que não esgotam o rol de possibilidades.

Infelizmente, para seus criadores, as holdings podem sofrer uma desvalorização nos mercados acionários: o preço de suas ações pode ser inferior ao valor total das ações de empresas sob elas abrigadas, conforme atestam exemplos do mundo real. Assim, ressaltamos aqui o papel das áreas de relações com investidores das holdings com ações em Bolsa de Valores: elas têm o desafio de demonstrar aos investidores como a holding cria maior valor do que a despesa que impõe pelo fato de existir.

Mônica Mansur Brandão